Psiquiatria e preconceito

A psiquiatria e o preconceito

É curiosa a frequência com que escutamos “ninguém sabe que estou aqui hoje” dentro de um consultório médico. De um psiquiatra, principalmente.

É realmente surpreendente como as pessoas têm uma vergonha em irem se consultar com um psiquiatra. Parece mesmo que estão fazendo algo muito errado, a ponto de ser muito comum que ninguém (no mundo) saiba onde o indivíduo está quando vai para a primeira consulta.

Os pacientes costumam aparecer com extrema culpa e vergonha em ter um sofrimento mental. É um preconceito com o próprio sofrimento. E esta atitude é comum até mesmo quando vemos, por exemplo, atletas e pessoas de grande exposição na mídia contando apenas após anos, e com visível incomodo, que padeceram de algum transtorno psiquiátrico no passado.

Sim, o psiquiatra é o “médico de louco”, se você julgar que loucura é uma alteração psíquica que altera gravemente a relação da pessoa com o mundo. Mas não é só essa alteração que o psiquiatra trata. Basicamente para se procurar um psiquiatra basta ter um sofrimento mental. Seja ele qual for.

Quantas vezes não escutamos (ou falamos) algo como “depressão é frescura”,  “isso é falta de chinelo quando criança”,  “seja forte! Tenha força de vontade” quando abordamos algum tema relacionado às patologias psiquiátricas?

Essas colocações já nos fazem ver como a sociedade, e consequentemente nós mesmos, vemos os transtornos psiquiátricos. Como situações que não saímos porque não queremos. Porque não somos fortes. Porque não levamos chineladas na infância ou porque não tivemos força de vontade. É absurdo, mas infelizmente ainda é muito real mesmo no esplendoroso século 21.

Mas, preciso adiantar uma informação que pode soar inovadora para alguns: não somos nós que geramos ou mantemos nossos transtornos psiquiátricos. Não depende de nós. Não depende só de nossa vontade. Como em qualquer outra doença, e por isso (pasmem), devem ser tratados com um médico, cuja especialidade é a conhecida psiquiatria. Porque doenças mentais, como o próprio nome diz, são “doenças” e merecem o devido tratamento, como em qualquer esfera da medicina e da vida.

Sonho com o dia que nenhum paciente entrará escondido em meu consultório ou não se surpreenderá que não tenho cara de louca, como o esperado.

Sim, ainda temos que evoluir muito nos nossos preconceitos. Na psiquiatria, infelizmente, não é diferente.

5 Comentários

  1. Elaine disse:

    Muito bacana.

  2. diego romero disse:

    oi gente gostaria de dar os parabéns pelo site de vocês e dizer gosto muito do coneúdo sobre medicina
    sou pediatra e adoro saber sobre patologias diferentes.
    abraços diego

  3. diego disse:

    Oi Gente, estou fazendo uma visitinha por aqui.
    Gostei bastante do site, vou ver se acompanho toda semana suas postagens
    Gosto muito desse tipo de conteúdo um Abraço 🙂

  4. Muito bom esse esquema, agora sim estou conseguindo aplicar de boas

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